sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Moça com Brinco de Pérola

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA - Johannes Vermeer é considerado o segundo pintor mais importante da Holanda, ficando atrás apenas de Rembrandt. Durante sua existência, entre os anos 1632 e 1675, Vermeer viveu em Delft, foi comerciante de arte e pintou diversos quadros, entre eles Moça com Brinco de Pérola, classificado por alguns como a “Mona Lisa holandesa”. A exemplo da pintura italiana, muito se especula sobre a modelo que posou para o pintor, embora não existam registros sobre a origem da mesma.

Em 1999, a escritora Tracy Chevalier publicou um romance, no qual tenta desvendar a moça por detrás do quadro, que a todos encanta com sua expressiva beleza e um intrigante olhar, ao mesmo tempo alegre e triste. Baseado nesse livro (que vendeu mais de dois milhões de exemplares logo quando foi lançado), Olívia Hetreed criou o roteiro de Moça com Brinco de Pérola, para que Peter Webber o dirigisse, estreando em longas metragens.

Scarlett Johansson interpreta Griet, uma jovem camponesa que, por conta de dificuldades financeiras pelas quais passa sua família, é levada a trabalhar na casa do pintor (vivido nas telas por Colin Firth). Dentre suas inúmeras funções está a de limpar e arrumar o estúdio, onde Vermeer passa a maior parte de seu tempo, trabalhando e refugiando-se de sua caótica família, que ele pouco vê.

Aos poucos Vermeer começa a prestar a atenção na jovem de apenas 17 anos, e passa a treiná-la no preparo das tintas. Ela tem um natural olhar crítico, parecido com o dele, e o pintor a deixa opinar em seu trabalho, nascendo entre eles uma cumplicidade que vai gerar o ciúme do resto da família e dos outros serviçais da casa. Menos o da sogra (Juddy Parfitt), que é quem administra as contas da família quase falida, e consegue captar que a presença da criada melhorou o trabalho do pintor e, conseqüentemente, o fluxo de caixa.

O ponto forte do filme está nas atuações de Johanssom e Firth. Ela, que já havia encantando o mundo em Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, está mais linda do que nunca. Simplesmente hipnotizante. E ele a quer sempre ao alcance dos seus olhos, o que faz crescer entre eles uma tensão sexual, que culmina na cena em que ele fura sua orelha para colocar-lhe os brincos da esposa. Sensualidade à flor da pele.

O romance é uma fantasia, mas a história parece tão real que é difícil duvidar que as coisas tenham ocorrido de forma diferente da descrita no livro e no filme.Curiosamente, Johansson não foi a primeira escolha para interpretar a moça do brinco de pérola. Mas sua semelhança com a modelo que posou para Vermeer é tão grande, que é impossível pensar em outra pessoa que não ela para o papel.

O filme -- que recebeu três indicações ao Oscar (Fotografia, Direção de Arte e Figurino) e duas indicações ao Globo de Ouro (Atriz – Drama e Trilha Sonora) -- conta ainda no elenco com Cillian Murphy (interpretando Pieter, filho do açougueiro e pretendente da bela Griet) e Tom Wilkinson, que tem uma importante participação na trama, no papel de Van Ruijven, o mecenas que comprou diversos quadros de Vermeer, ajudando-o a sustentar sua família.

Ficha Técnica:
Moça com Brinco de Pérola (Girl With a Pearl Earring - Inglaterra - 2003 - 95 min)
Direção: Peter Webber
Roteiro: Olivia Hetreed, baseado no livro homônimo de Tracy Chevalier
Fotografia: Eduardo Serra
Figurino: Dien van Straalen

Elenco: Scarlett Johansson (Griet), Colin Firth (Johannes Vermeer), Tom Wilkinson (Van Ruijven), Judy Parfitt (Maria Thins), Cillian Murphy (Pieter), Essie Davis (Catharina).

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VERMEER

Para criar composições despojadas e de extrema
serenidade, Vermeer trabalhava seus quadros com minúcia. Sua obra ficou
esquecida até o século XIX, mas hoje Vermeer é reconhecido como um dos maiores
pintores da grande época da pintura holandesa.
Jan Vermeer nasceu em Delft, Países Baixos, em 31
de outubro de 1632. Entre 1652-1654 estudou pintura com Karel Fabritius, aluno
de Rembrandt.
Em 1663 entrou para a guilda de São Lucas, que
presidiu em 1662-1663 e 1670-1671. De suas 35 telas conhecidas, só duas são
assinadas: "A alcoviteira" (1656) e "O astrônomo" (1668). A
ausência de assinaturas e a abundância de telas apócrifas dificultam a apreciação
cronológica da obra de Vermeer.
Os temas que aborda são os de seus contemporâneos
Pieter de Hooch, Terborch e Metsu: interiores com uma ou duas figuras e
paisagens urbanas. Nos jogos de luz e sombra vê-se certa influência italiana. A
composição é geométrica, com seus elementos simetricamente equilibrados. Os
elementos típicos da obra de Vermeer já apontam em "Moça lendo uma
carta" (c. 1657): o quarto fechado, a luz que entra pela janela, tapetes
orientais e cortinas luxuosas. A luz é usada com mestria para ressaltar uma
expressão, aprofundar ou criar uma atmosfera.
Intimista, Vermeer retratou cenas da vida burguesa,
repletas de símbolos e intenções morais. Em "A leiteira" (1656-1660),
manifesta-se seu colorido particular: fusões de azul e amarelo, objetos
pontilhados de dourado.
Apenas duas magníficas cenas urbanas, "A
ruela" (c. 1658) e "Vista de Delft" (c. 1660), não foram
inspirados interiores. Vermeer foi enterrado em Delft em 15 de dezembro de
1675.

©Encyclopaedia Britannica
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